Quando alguém fala em esperar, a primeira imagem à qual
associamos é de alguém parado, aguardando algo ou alguém, muitas vezes de
braços cruzados, repleto de expectativa. O significado de esperar, entretanto, passou, assim como
outras palavras, por modificações com o passar do tempo.
Em sua etimologia a palavra esperar deriva do latim sperare (ter fé) e spes (esperança, confiar em algo positivo). Esperar, portanto, em
sua origem, nada tem a ver com a ideia de estagnação, trata-se de um sentimento
de confiança de que há algo bom por vir, juntamente com uma postura de entrega
de si, para que esse “algo bom” possa surgir com naturalidade e possa inclusive
nos surpreender ao ser diferente do que gostaríamos.
Esperar não é estar parado, observando a vida passar, até
porque a vida é constante mudança e movimento e jamais conseguiríamos ir contra
a essência dela. Esperar é trabalhar em si as modificações necessárias ante os
nossos conflitos interiores, sem ter na mente um objetivo específico. E
trabalhar entregando ao tempo as consequências desse trabalho.
Trata-se de uma virtude pouco exercitada na volúpia e
instantaneidade da sociedade em que vivemos. A espera é irmã da paciência, da
confiança e da serenidade. E nenhum de nós tem o direito de tirar alguém de sua
espera e de sua esperança.
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